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Prevenção, a grande ausente na gestão de riscos de desastres no mundo

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“Para cada dólar investido na redução de riscos e prevenção, podem-se economizar até 15 dólares na recuperação após um desastre”

Passaram-se nove anos desde aquela fria quarta-feira, 18 de março de 2015, em que foi adotado o Marco de Ação de Sendai para a Redução do Risco de Desastres 2015-2030, após a realização da terceira Conferência Mundial das Nações Unidas realizada em Sendai (Japão), que contou com o apoio do Escritório das Nações Unidas para a Redução do Risco de Desastres, conhecido pela sigla UNDRR, a pedido da Assembleia Geral das Nações Unidas.
 

O Marco de Ação de Sendai para 2015-2030 é o instrumento sucessor do Marco de Ação de Hyogo para 2005-2015, no entanto, e ao contrário deste último, Sendai apresenta uma série de inovações que foram fruto das consultas e negociações realizadas entre 2012 e 2015, destacando-se, sobremaneira, a mudança de paradigma, ao colocar o foco na gestão do risco de desastres em vez de na gestão de desastres, o que, por acréscimo, implicou mover a agulha do mecanismo oxidado utilizado durante décadas pelos diferentes organismos de Gestão de Riscos de Desastres, da resposta para um estado anterior, injustamente esquecido, denominado prevenção.

Mas em termos simples e diretos, o que significa, na prática, esta mudança de paradigma? Para responder a esta pergunta, é necessário vasculhar o site da UNDDR, que sintetiza, de maneira clara, o alcance de uma gestão adequada aos novos tempos, conforme o seguinte trecho:


“Investir na redução de riscos e no fortalecimento da capacidade de recuperação salva mais do que vidas e meios de subsistência, é também um bom retorno sobre o investimento. Para cada dólar investido na redução de riscos e prevenção, pode-se economizar até 15 dólares na recuperação após um desastre. Cada dólar investido na criação de infraestruturas resistentes a desastres economiza 4 dólares na reconstrução.”

Um exemplo claro nesta matéria foi a gestão de riscos de desastres do Furacão Katrina, que aconteceu na região do Golfo dos Estados Unidos em 2005, onde se pôde evidenciar que os custos de recuperação superaram de maneira ostensiva os custos que poderiam ter sido investidos em prevenção, alcançando uma cifra que gira em torno de 170 mil milhões de dólares, isso, em termos de custo, o converte no furacão mais destrutivo na história do país, segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA, na sigla em inglês), ao que se soma a morte de 1.800 pessoas, colocando-o entre os três furacões mais letais dos Estados Unidos.

Por outro lado, os custos associados à prevenção são estimados em menos de 10 mil milhões de dólares, considerando a melhoria e manutenção do sistema de diques e barreiras contra inundações, atualização dos planos de evacuação e sistemas de alerta precoce, reforço de infraestruturas críticas e habitações em áreas de alto risco, programas de educação e capacitação em gestão de riscos para a população e autoridades locais.

O exposto sustenta-se no fato de que uma das principais falhas que originaram a catástrofe foi o colapso dos diques, que se tivessem sido objeto de investimentos oportunos poderia ter evitado o colapso destes, o que gerou o desastre e os altos custos associados à sua recuperação. A isso se soma a falta de planos de emergência e sistemas de alerta precoce adequados, o que contribuiu de maneira significativa para o desenvolvimento do desastre, impactando de maneira certeira a população.


O Furacão Katrina constitui um caso que revela a importância de investir em medidas preventivas de gestão de riscos de desastres. O investimento prévio em infraestrutura e sistemas de gestão de emergências poderia ter reduzido significativamente os impactos econômicos e humanos do desastre, afetando um dos países mais desenvolvidos do mundo, que sucumbiu de maneira estrondosa frente a uma ameaça que poderia ter sido mitigada se tivessem sido adotadas as medidas preventivas adequadas.

O exposto deixa claro que as ameaças não discriminam ao manifestar-se, e atingem, por igual, todos os atores que integram uma sociedade, razão pela qual não existe maneira de abstrair-se dos problemas gerados pelo impacto que provocam, mas sim, podem-se adotar medidas de mitigação que permitam que, ao final do dia, as perdas sejam limitadas, derivadas de uma compreensão precoce do risco e seus efeitos funestos, versus uma situação na qual estas medidas não tenham sido atendidas, com o consequente detrimento econômico, que em muitos casos torna insolvável a continuidade operacional de uma determinada organização e sua desaparecimento absoluto e total do mercado.


“Antes de qualquer outra coisa, a preparação é a chave para o sucesso.”
Alexander Graham Bell


Patricio Escobar Schmidt 

Consultor em Planeamento e Gestão do Risco de Desastres


pescobarsch@gmail.com


Fontes:
https://www.undrr.org/es/sobre-undrr/financiamiento

https://www.bbc.com/mundo/noticias-53786487

The Federal Response to Hurricane Katrina: Lessons Learned. EE.UU Congress.

ASCE Hurricane Katrina External Review Panel. https://www.asce.org/

FEMA (Federal Emergency Management Agency). FEMA MAT Report. https://www.fema.gov/

Artígos Académicos. White, G. F., Kates, R. W., & Burton, I. (2001). Knowing better and losing even more: The use of knowledge in hazards management. Environmental Hazards, 3(3-4), 81-92. https://www.tandfonline.com/

Brinkley, Douglas. The Great Deluge: Hurricane Katrina, New Orleans, and the Mississippi Gulf Coast.National Research Council: The New Orleans Hurricane Protection System: Assessing Pre-Katrina Vulnerability and Improving Mitigation and Preparedness. https://nap.nationalacademies.org/


Fonte: Patricio Escobar Schmidt


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